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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Memória educativa: Um paradoxo de altos e baixos


Ainda bom aluno aos doze anos
Minha trajetória de estudante foi marcada por incontáveis altos e baixos, caracterizando um caminho irregular e repleto de paradoxos, o que tornou a minha caminhada íngreme, hercúlea.
 Parte desta dicotomia se deve a minha dificuldade em seguir regras rígidas sem explicações claras dos porquês de tais regras, mas também, por culpa do sistema de ensino ao qual fui submetido, repleto de professores mal preparados e maniqueístas, incapazes de despertar nos alunos o interesse pelo conhecimento e a busca pela cultura, uma verdadeira ode ao desestímulo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Novas dicas para cursos na internet


Os cursos online são uma ótima opção para quem busca administrar seus horários

Estudar à distância é uma das atividades que procuro incentivar. Por isso, sempre tento dar dicas de cursos online que complementem a nossa formação, preferencialmente se gratuitos e acessíveis à todos. Desta vez vou apresentar algumas novas opções e, também, voltar à algumas das quais já falei, mas que agora trazem novidades.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O ensino das Artes Visuais

O ensino das artes visuais na escola está passando por um estágio de definição. Já sofreu inúmeras mudanças desde suas raízes no academicismo europeu, mas sobretudo, após o século XIX e no início do séculoXX, quando a idéia dominante era de que a arte deveria se estendida à todas as classes sociais, embora com finalidades voltadas ao trabalho. Entretanto, este processo ainda não conseguiu estabelecer sua fórmula ideal, que seja aceita pela maior parte dos educadores ao mesmo tempo em que consiga cumprir todos seus objetivos educacionais, talvez, por em estar em constante evolução. De acordo com ASLAN “Em cada época e lugar, um conjunto complexo de intenções, teorias, práticas e valores afetam as tendências pedagógicas”

Desta forma a pretensão deste trabalho não é apontar qual o melhor sistema de ensino ou a melhor escola, mas apenas analisar de modo genérico, sem apontar uma época ou sistema específico de ensino de arte a forma como a arte está sendo ensinada hoje na maioria das escolas e qual é o foco deste ensino. Muitas vezes tido apenas como um “ensinar a copiar desenhos”, o ensino das Artes Visuais sofre com a falta de visão de muitos coordenadores pedagógicos, professores e alunos que não conseguem enxergar nos objetivos do ensino das Artes Visuais uma ferramenta capaz de ir além do brincar de arte. Se por um lado os objetivos desta disciplina caminham entre fomentar o conhecimento, desenvolver o senso crítico, a sensibilidade artística e o conhecimento teórico que embasa tudo isso, na prática o que vemos são alunos desinteressados e professores despreparados para fazer cumprir estes objetivos.

“a educação crítica e performativa sobre a cultura visual é muito mais que uma celebração dos prazeres dos aprendizes” Hernández (2007 pág 70).

Isso significa que se esquecendo dos objetivos do ensino e assumindo uma posição passiva e despreparada o arte-educador se limita a oferecer aos alunos apenas exercícios superficiais, embasados apenas no fato de que irá entretê-los, deixá-los “fazendo alguma coisa” agradável para assim criar a ilusão de que gostam de arte (ou no caso, ao menos da aula). Ele aponta que é muito mais válido “propor algo que os incomode e desafie, colocando em circulação diferentes saberes e provocando o envolvimento dos sujeitos” (pág 82). Note-se ainda que Hernández utilize o termo cultura-visual. Neste trabalho não se pretende entrar nesta questão etimológica, por isso consideremos apenas que todos os termos ligados às Artes Visuais que porventura sejam utilizados são referências ao ensino de Artes.
“Para nós, arte/educação ou ensino de artesvisuais é entendida de modo genérico como qualquer prática de ensino e aprendizagem em artes visuais e visualidade, em qualquer relação de tempo e espaço (DIAS, Pág 05)”

Esta postura de passividade demonstra a falta de qualquer método no ensino de Artes Visuais. Cria-se uma sensação de que nada se aprende realmente, uma situação tão ruim quanto a escolha de uma metodologia equivocada, que acabe privilegiando culturas hegemônicas ou mesmo determinados alunos em relação à outros, o que também ocorre com freqüência. Segundo Donald Schon

“os bons profissionais utilizam um conjunto de processos que não dependem da lógica, da racionalidade técnica, mas sim, são manifestações de sagacidade, intuição e sensibilidade artística” (O saber fazer-docente, 2002)

Desta forma, fica evidente que o bom ensino depende de um tênue equilíbrio entre teoria e prática. Se por um lado, há passividade e a carência de método, por outro há o método mal aplicado e o tecnicismo. Para encontrar o equilíbrio nesta equação, o professor deve planejar, seu método de ensino embasado em objetivos claros e definidos. A intuição, sagacidade e sensibilidade artística citadas por Schon são as ferramentas que darão equilíbrio à esta composição. Se utilizadas em demasia, afastam-se do método e não alcançam seu objetivo. Se não utilizadas, causam um aprendizado mecânico, frio e amarrado, que não consegue envolver e tampouco chega aos objetivos desejados.

Mas também é evidente que o ensino precisa estar embasado em objetivos bem definidos, que sirvam como a bússola do processo, afinal, todo o processo metodológico e tudo que o professor propõe em sala de aula é para fazer cumprir determinado fim. Sem a bússola o navegador se perde na vastidão do oceano, onde as possibilidades são muitas podem afastar cada vez do objetivo pretendido. Navegadores mais experientes podem até esquecer este instrumento e se guiar pelas estrelas, mas na maioria das vezes a chegada se dará de forma mais dificultosa e nem sempre sem avarias. O segredo é planejar,

“Para tal empreendimento, o professor realiza passos que se complementam e se interpenetram na ação didático-pedagógica. Decidir, prever, selecionar, escolher, organizar, refazer, redimensionar, refletir sobre o processo antes, durante e depois da ação concluída” (LEAL, Pág 02).

Mas o cenário apontado anteriormente é um retrato de como se encontra o ensino de Artes Visuais como um todo, não avalia e não tem a pretensão de abranger a todos os profissionais, pois é nítido também que já existe uma mudança nestes paradigmas, e não só os profissionais começam a se adequar à esta nova realidade de ensino, o fazem também as instituições e os governantes. Segundo ASLAN, os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) surgidos à partir de 1990 começam a contribuir para uma nova visão para o ensino da arte “porque não são uma metodologia nem uma proposta de currículo, e sim um conjunto de princípios que reorientam a visão do ensino de arte” .




Referências

ARSLAN, Luciana Mourão e IAVELBERG, Rosa. O Ensino de Arte no início do século XXI. 2006. Thomson Learning.

HERNANDÉS, Fernando. Catadores da Cultura Visual: transformando fragmentos em nova narrativa educacional. 2007. Editora Mediação.

LEAL, Regina. Planejamento de Ensino: peculiaridades significativas. Universidade de Fortaleza.

DIAS, Belidson. Escritos Essenciais, Unidade 3. UNB-UAB

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Uma experiência como educador de arte

Como futuro arte educador, deveria narrar aqui as minhas tentativas de ensinar meus filhos a desenhar; citar a ênfase que dei às formas geométricas, mostrando-lhes que usando círculos, quadrados e triângulos pode-se desenhar qualquer coisa, bastando aprender a enxergar estas formas na natureza e depois reproduzi-las como base de nossos esboços; talvez devesse narrar as vezes em que tentei mostrar à minha esposa a poesia visual de Akira Kurosawa e seus sonhos com Van Gogh, tentando despertar a sensibilidade artística ainda adormecida por sua vida atribulada, de obrigações e falta de tempo. Mas a verdade é que só consigo pensar nas histórias desenvolvidas através dos jogos de RPG em que participei.

Amparado em Belidson Dias quando afirma que “(...) pelo ensino das artes, podemos oferecer ao indivíduo uma experiência prático/teórica que permite o espaço para desenvolver o impulso humano da autoexpressão ” (Escritos Essenciais, pág 04), coloco as histórias criadas por este jogo como uma ferramenta para a arte-educação, assim como considero que realizava inconcientemente o papel de professor quando criava histórias que tinham por objetivo de explorar o simbolismo de nossa realidade através de personagens e situações "Os símbolos foram os meios pelos quais o homem conseguiu sair do estado animal de inconsciência, para a primeira fase de consciência" afirma Belidson, e o simbolismo foi preponderante nesta jornada.

Através dos jogos de RPG tive a oportunidade de, como jogador, me colocar no papel de um aprendiz, recebendo ensinamentos e tendo a oportunidade de vislumbrar diversas outras perspectivas possíveis de minha realidade. Fui um artista frustrado, embora talentoso, e que desejava compartilhar sua visão artística com toda a sociedade em uma história do jogo “Vampiro a Máscara”. Fui um jovem aprendiz de ferreiro, ansioso por aprender as técnicas e os mistérios da arte ancestral de moldar espadas em um jogo de “D&D”. Fui também um cineasta famoso, amigo de Kubrick e Spilberg em uma história de GURPS ambientada em um futuro tecnológico chamado de “Cyberpunk” neste universo. Na história aprendi mais sobre a arte do cinema que em toda minha jornada como estudante na vida real.

Por outro lado, também tive a oportunidade de me colocar na posição de quem ensina, pois também fui “mestre”. Mestre no mundo do RPG é o equivalente ao narrador, ao deus da história, que age através de seus personagens (chamados NPCs) e das situações que os personagens devem enfrentar para poder seguir em frente. Como mestre sempre tive o cuidado de criar em minhas histórias dois pontos essenciais; primeiro coerência histórica cultural e artística, pois sendo um retrato de nosso mundo (às vezes distorcido, mas ainda assim, sempre tendo nossa realidade como base) sempre pesquisei a fundo a ambientação.

Se uma história se passava na Grécia, pesquisava sobre a história, costumes e arte gregas. Se a história se passava na idade média, era necessário compreender o pensamento da época para caracterizar os NPCs. Se os personagens encontrassem um trovador, como ele seria? Como seria o contato? Uma caravana de teatro poderia passar por eles? E segundo, o simbolismo apontado por Belidson, pois como mestre sempre foi impossível não expor o mundo que existe dentro de mim através de meus personagens. E como mestre sempre pude explorar através de distintos personagens diferentes nuances de minha alma. Não formei artistas, nem historiadores, tampouco filósofos, não era este o objetivo, mas tenho certeza que em diversos momentos consegui contribuir para que meu grupo de jogadores tivessem uma experiência de catarse, e que além disso saímos todos com algo a mais em nossa experiência, algo positivo e que tenha servido como motivo de reflexão e aprendizado, indo muito além do “imitatio”.

“O maior produto social do ensino de arte não serão os trabalhos de arte que possivelmente podem ser gerados dele, e sim, a formação de um tipo de pessoa que seja capaz de apreciar a arte com uma atitude crítica e que seja capaz
de transformar a sua experiência estética em algo positivo para a sua vida e para a sociedade” (Pág 05)

Através das sessões de RPG, mestre e jogadores têm uma oportunidade singular de desenvolver os sentidos, de direta e indiretamente levar o grupo à enriquecer seu desenvolvimento social, transpondo as barreiras culturais ou racionais “As artes entram na alma através dos sentidos muito antes do poder da razão estar desenvolvido nas crianças” (pág 09).
Os jogos de RPG como método são uma forma nova (muitas vezes vítima de preconceito) e pouco conhecida de ensinar, mas também é ao mesmo tempo uma das mais antigas formas de ensino, pois trata-se nada mais nada menos que a tradição de se contar histórias. Durante milênios nosso conhecimento foi passado de geração em geração assim, seja em volta de uma fogueira na pré-história, nas pessoa ouvindo as parábolas de Jesus na montanha ou na melodia de um bardo medieval. Contar histórias sempre foi um ato instrutivo e de transmissão de ensinamentos, e minhas partidas de RPG por mais descompromissadas que fossem, sempre traziam à tona algum questionamento, alguma reflexão, alguma grande lição que os personagens deveriam aprender.

Como jogador, tive acesso a culturas antes inimagináveis ou inalcançáveis; estive na Pérsia, na China, na Europa de Napoleão e na África dos Egípcios. Pude conhecer a arte, a cultura e o pensamento destes povos. Como mestre, pude perceber também, o potencial educativo desta ferramenta. Foi possivelmente minha primeira grande conquista como futuro arte educador, pois antes de pensar em ser professor já utilizava esta ferramenta com esta finalidade. Talvez, até tenha sido justamente isto que tenha me trazido para cá.


Referências:

DIAS, Belidson, Escritos Essenciais, Unb/Ida/Vis/Uab.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Rocky Balboa training in Acre

Rocky Balboa abandonou Hollywood e veio fazer carreira no Brasil, no Estado do Acre, onde reiniciou seus treinos para se tornar o novo campeão acreano de boxe. Sem dinheiro e ferrado, mas com determinação ímpar...

Trabalho realizado pelos alunos do segundo período de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Acre.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Paradigma Educacional Emergente

O paradigma educacional emergente é na verdade parte da tese de doutorado da autora Maria Cândida Moraes, apresentada à PUC de São Paulo, posteriormente transformada livro de mesmo nome, lançado originalmente em 1997 e que recebeu 11 edições, sendo a última de 2005.

Nesta resenha o será analisado apenas o capítulo que leva o nome do livro. O enfoque é centralizado na visão de uma nova realidade educacional, longe dos desencantos e mazelas do sistema tradicional de ensino e aprendizagem através de uma evolução gradativa. A autora apresenta já nos primeiros parágrafos perguntas pertinentes, como “(...) neste mundo globalizado, mutante e interdependente, será mesmo possível reencantar a educação?” ou “Por quanto tempo ainda vamos continuar privilegiando a memorização, a cópia e a repetição?”

Moraes apresenta o problema em sua contextualização, onde fica claro que a educação nos moldes atuais é um grande problema devido a seus métodos ineficazes e ultrapassados. Entretanto, salienta a entrada dos novos meios teconólicos que ao mesmo tempo avança sobre o campo educacional, enfocando a necessidade de se manter atualizado com as novas possibilidades que este avanço oferece ao mesmo tempo em que atua como ferramenta para exercer o domínio do pensamento crítico e do pensar em substituição ao simples decorar.

“De certa forma, é um modelo educativo que continua confundindo obediência com subserviência, abandono como incentivo à autonomia, que valoriza o silêncio, a falta de imaginação e a cópia, e que continua punindo os “erros” e as tentativas de liberdade de expressão”

Para não só explicar, mas também contribuir esta mudança, Moraes busca o que ela chama de novos referenciais epistemológicos, buscando também em estudiosos como Edgar Morin, Varela, Thompson e Rosch o apoio para seu discurso, como ela mesmo admite em seu texto

“(...) esta nova visão teórica, construída a partir do Pensamento Complexo de Edgar Morin, das implicações epistemológicas da Física Quântica e da Teoria Autopoiética de Maturana e Varela na educação, traz consigo algumas conseqüências importantes para o campo do conhecimento e para as ciências sociais em geral, e para a educação, em particular”

A partir de então termos complexos como autopoiético, atitudinais, transcendência, interconectividade, complexidade, intersubjetividade e interatividade vão formando progressivamente o que a autora define como “seus pressupostos teóricos e epistemológicos deste novo paradigma”. Outros pressupostos importantes prontamente abordados são a inter e a transdiciplinaridade “que regem a produção do conhecimento, a aprendizagem e o desenvolvimento da pesquisa”.

Segundo Moraes há inúmeras implicações pedagógicas e metodológicas a partir destes conceitos, e uma das mais importantes “é o reconhecimento de que conhecimento e aprendizagem pertencem ao domínio das relações do organismo com o seu meio e não somente a um dos dois separadamente”. Para Moraes,

“é preciso que a escola, as instituições e as pessoas que dela fazem parte estejam se relacionando constantemente com o meio no qual está inserida, além de possuir uma capacidade intrínseca de se auto-organizar sempre que necessário, uma capacidade interna de auto-regeneração sempre que for preciso. Para tanto, a escola necessita estar em contínua mudança estrutural, adaptando-se ativamente com o que lhe acontece ao redor. Tudo isto pressupõe flexibilidade estrutural e capacidade de renovação constante”

Assim a realidade não é estática, ela é construída e reconstruída de acordo com estas relações e o aprendiz está constantemente em autotransformação, tanto pela influência cultural quanto biológica de seu meio, sendo ainda não apenas a causa de sua mudança, mas também o causante.

Ao terminar de ler o texto em questão enquanto comparamos com o sistema educacional vigente, não há como não sentir uma ponta de pessimismo, ou talvez uma inesperada invasão de um sentimento utópico, mas neste ponto faz-se necessário lembrar que toda mudança depende de um longo debate e de muita resistência da parcela conservadora, que vê nestas novas visões a possibilidade de rompimento do comodismo que impera nesta parcela. Que aliás, muitas vezes se favorece do sistema vigente que não faz pensar, mas apenas alavanca estatísticas.

Bibliografia:

MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. São Paulo: Papirus, 1997.

LIMA, Márcio Rogério de. Revista Extra-Classe • N2 - V1 • Janeiro 2009

sábado, 28 de novembro de 2009

Motivação, inclusão e respeito às diferenças

Para se trabalhar em sala de aula com o ensino-aprendizagem de artes, levando em consideração a motivação e o respeito às diversidades indicados no texto “Processos Motivacionais e Inclusão Escolar: Contribuições à formação do professor de Artes”, de Diva Maciel, é preciso em primeiro lugar analisar a posição do educador de forma crítica e em conformidade com a realidade, reconhecendo que a motivação e a inclusão não são distintos, sendo na verdade, complementares e indissociáveis.

Primeiro vamos tratar da motivação. Dentre todos os problemas que existem no ambiente escolar, a motivação é o que exige maior esforço, pois é comum aos professores o confronto com alunos apáticos, desinteressados ou que apresentem elevado grau de resistência ao que lhes é ensinado. Muitos professores desistem ou acabam deixando que os alunos o guiem por no final das contas, ser ele o afetado pela desmotivação, quando deveria ser o oposto. Normalmente a culpa é colocada nos alunos, apontados como “a pior sala da escola”, “uma turma sem respeito”, etc. Mas na verdade, isto ocorre por falta de conhecimento e despreparo do professor e não por quaisquer culpas atribuídas à turma, pois é o professor quem é o detentor do conhecimento a ser transmitido, e é ele também quem deve possuir as ferramentas e estratégias para que esta transferência ocorra. O professor deve estar preparado para os problemas que irão surgir e para utilizar-se dos métodos educacionais visando motivar seus alunos.

Entretanto, é aqui onde o despreparo impera. Muitos professores, destituídos do conhecimento dos processos que podem auxiliá-los, agem de acordo com tentativa e erro, como se após algumas atitudes errôneas um acerto as corrigisse. Muitos tentam comprar a motivação da turma, o que segundo o exposto por Diva Maciel é errôneo, já que a recompensa acaba diminuindo a motivação intrínseca. Para motivar nossos alunos, é importante não trabalharmos em cima da motivação extrínseca, pois esta, em longo prazo acomoda os alunos e os foca apenas na recompensa. Eles passam a trabalhar bem apenas em troca da recompensa. Deve-se ao contrário, trabalhar não com a recompensa como estímulo, mas com o elogio, ou o feedback-verbal, pois estimula a motivação intrínseca. Segundo Otero (2003), “são três motivações que se encontram em todas as pessoas humanas, embora em proporções distintas. Se predominar a motivação extrínseca, a pessoa está dependente, de certo modo, das reações dos outros e atua interesseiramente; se predominar a intrínseca, a pessoa pode decidir-se pela ação tendo em vista a sua melhoria pessoal; se predominar a transcendente a pessoa atua pensando ou abrindo-se às necessidades alheias ou à melhoria pessoal dos destinatários da sua atividade”.

Para saber motivar, e o quê motivar, é preciso conhecer os alunos, seus pensamentos, sua cultura, sua realidade, pois assim podemos criar as situações motivacionais a que pretendemos utilizar como impulso para o desenvolvimento psicológico da criança. Tomando como ponto de partida uma sala de aula de crianças carentes da periferia de uma grande cidade, com faixa etária na casa dos sete anos de idade, como motivá-los? Oliveira nos diz que “conhecendo o nível de desenvolvimento dos alunos, a escola dirigir o ensino não para etapas intelectuais já alcançadas, mas sim para estágios de desenvolvimento ainda não incorporados pelos alunos, funcionando realmente como um motor de novas conquistas psicológicas. Para a criança que freqüenta a escola, o aprendizado escolar é elemento central no seu desenvolvimento (OLIVEIRA, 2002, p. 61-62).” Ou seja, deve-se trabalhar o que Vigotski definiu como as zonas de desenvolvimento, estimulando através do conhecimento de seu desenvolvimento real o seu desenvolvimento potencial. Tomemos como exemplo um garoto que não sabe desenhar e não tem confiança para fazê-lo (por medo de ser ridicularizado, de ter seu desenho mal avaliado, etc). Em primeiro lugar, não se deve cobrar de uma criança nesta idade um desenho artístico, e muitas crescem sem saber desenhar justamente por em determinado momento ter tido seu desenvolvimento real mal compreendido e por isso, ter recebido cobranças além de sua capacidade naquele momento. Desta forma deve-se elogiar os pequenos avanços da criança, tornando seu desenvolvimento crescente, porém sem saltos bruscos. Sua confiança deve ser estimulada, e para isso não se pode deixar a criança obter grandes fracassos, pois estes desestimulam a autoconfiança. Para se motivar é imprescindível que se estimule auto-estima.

Como citado anteriormente, a inclusão está também vinculada à motivação, pois, não se pode esperar resultado com a inclusão se estes alunos não receberem a devida atenção, com o devido grau de motivação. Um aluno incluído é um aluno que já sofreu algum tipo de discriminação, e em algum momento foi excluído, pois se não o fosse, não seria necessário a inclusão, pois ele já faria parte deste sistema. Desta forma, é necessário que esta inclusão seja realizada de fato, com uma adaptação da escola à realidade destes alunos, e não destes alunos a escola, como o pensamento comum tende a ponderar. Não existe nada mais desmotivador à um aluno portador de uma determinada diferença, que observar a escola onde foi “incluído” sem a menor preocupação de adaptar-se a suas diferenças.

Segundo o texto, “estar na escola é condição necessária, mas não suficiente, para a inclusão. Para estar incluído, é necessário que o aluno esteja participando e construindo conhecimento, isto é, aprendendo e desenvolvendo suas potencialidades. Portanto, outra condição necessária para a inclusão é estar em permanente busca de identificação de barreiras, permanentes ou factuais, que possam limitar, ou mesmo impedir, a inclusão. (Pág 09)”. Para que a inclusão tenha efeito, é necessário trabalhar principalmente em estratégias que visem o trabalho em grupo, o que estimula a visão de igualdade perante as diferenças. “Qualquer que seja a forma adotada para distribuir as atividades ao longo do dia é interessante que o planejamento contemple momentos de participação coletiva de toda a classe, momentos em que cada um trabalhe por si só, e em que os alunos interagem mais intensamente, trabalhando em grupos (Souza, apud FERREIRA, 2002, p. 22)”. Para a educadora Maria Teresa Égler Mantoan, “Diferentemente do que muitos possam pensar, inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina, de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem. Um bom projeto valoriza a cultura, a história e as experiências anteriores da turma. As práticas pedagógicas também precisam ser revistas. Como as atividades são selecionadas e planejadas para que todos aprendam? Atualmente, muitas escolas diversificam o programa, mas esperam que no fim das contas todos tenham os mesmos resultados. Os alunos precisam de liberdade para aprender do seu modo, de acordo com as suas condições. E isso vale para os estudantes com deficiência ou não.”

Portanto, o mais importante de tudo é que para existir uma inclusão de fato, bem como uma permanente motivação dos alunos, deve-se buscar além das estratégias de ensino, da alteração e adaptação de espaços e adaptações curriculares, destruir as barreiras existentes na mente e na atitude de cada um.


REFERÊNCIAS

Maciel, Diva, Processos Motivacionais e Inclusão Escolar: Contribuições à formação do professor de Artes.
Leite, E. C. R.; Ruiz, J. B.; Ruiz, A. M. C.; Aguiar, T. F.; Oliveira. M. R. C. Influência da Motivação no Processo Ensino-Aprendizagem, Akrópolis, 13(1): 23-29, 2005

Nova Escola, <http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/inclusao-no-brasil/maria-teresa-egler-mantoan-424431.shtml> Acesso em 04/07/2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O (novo) papel dos educadores

No Brasil o papel dos educadores nunca foi bem definido, sobretudo no que tange ao ensino de artes, onde reside uma classe de educadores menosprezada e frequentemente tratada como desnecessária. Mas hoje, quando os professores e o próprio ensino de artes passam por uma reavaliação de sua utilidade e de sua permanência nos currículos escolares, os futuros professores de arte forçam-se a buscar respostas a esta questão, pois definir qual o papel dos educadores é o primeiro passo para assegurar a permanência do ensino da arte nas escolas e na cultura brasileira.
Como aponta Alarcão (2.000) “nos discursos oficiais, é unanimemente reconhecido que a educação é fonte de desenvolvimento humano, cultural, social e econômico. E que, nesse desenvolvimento, os professores e a escola desempenham um papel fundamental”. Educar vai além de seguir cartilhas, apresentar desenhos para colorir ou pintar a cara no Dia do Índio ou seguir a escola reprodutivista que Boourdieu (1975) cita como a perpetuação de uma reprodução igualitária e de dominação. É preciso rever os processos que pretendem levar conhecimento aos alunos, expandir as alternativas, pois “o contato com a experiência de novas possibilidades introduz o auto-questionamento, abre caminho a uma dimensão reflexiva e impede o encerramento de cada comunidade historicamente dada dentro de si própria, numa familiaridade autista com os elementos da sua cultura e da sua tradição (CORREIA, s.d., p.06)”. Entre estas novas possibilidades está a nova realidade tecnológica, que deve ser pensada e utilizada pelos educadores como ferramentas e não como ameaças ao (bom) estudo, mas também, e principalmente não estar fechado à possibilidade de transformação interior. Como aponta Vieira (1999): “(…) a inovação pedagógica implica modificações da cultura pessoal do professor”. Este novo perfil dos educadores, amparados nesta visão tecnológica torna-os atualizados no contexto do pós-modernismo e suas implicações para a educação.
Desta forma, os educadores têm a obrigação de intermediar na construção do conhecimento do aluno, ajudando-o a construir, reconstruir, desenvolver a auto-estima, ensinar a criticidade e auto-crítica, trabalhar os novos campos do saber e as novas formas de expressão. É necessário ao educador atribuir-se o papel de motivador e de exemplo ético. São estas atitudes que farão destas crianças os novos educadores de nossa sociedade e serão eles que definirão qual será o novo papel do educador, pois “O caráter da educação resulta do caráter da sociedade que a ministra e não o contrário, como ainda hoje pensam muitos educadores e pessoas mais ou menos desprevenidas. A educação, a instrução, a cultura são funções da sociedade, e não o contrário”(LEMME,1961, p. 21).

Bibliografia relacionada:
Barbosa, Ana Mae, Arte-Educação no Brasil,Realidade hoje e expectativas futuras
Rodrigues, Lylian, Papéis sociais na contemporaneidade: casos de alunos e professores http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R1547-1.pdf > Acesso em 11/07/2009
Roca, Maria Eugênia C. de La, Educador da Infância e sua ação pedagógica na atualidade. VI SEMINÁRIO DA REDESTRADO- UERJ
Honey’s, Carol, Blog. < http://carolhoneys.blogspot.com/2008/05/o-papel-do-educador-e-as-novas.html> Acesso em 11/07/2009