sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Faça e resolva quebra-cabeças online
Que tal resolver um quebra cabeças on line? Basta clicar na imagem acima, fácil não é?
E o melhor de tudo é que foi criado num site gratuito e se desejar fazer o seu quebra cabeças, com sua foto, desenho ou montagem, é só fazer um cadastro rápido no site Jigidi (http://www.jigidi.com/) e fazer o upload da foto. Depois compartilhe o link com seus amigos.
Com um pouco de imaginação pode-se fazer os mais interessantes e interativos cartões de aniversário ou de comemoraões especiais. Mas quem desejar apenas passar alguns minutos se distraindo, o site disponibiliza diversos quebra cabeças de seus usuários.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Resenha: “Um igarapé no meu quintal”
“Um igarapé no meu
quintal”
30:01′
Rio Branco-AC-2010
Direção Gilberto
Ávila
Em
algumas partes do Brasil não se conhece a expressão “igarapé”,
que designa um pequeno braço de rio, mas córregos e cursos d'água
são sinônimos para este pequeno ecossistema, que possui a mesma
importância nos seus diversos substantivos. “Um Igarapé no meu
quintal” é o resultado de um minicurso de três semanas sobre
cinema documentário, enfocando oficinas técnicas, palestras
temáticas, aulas teóricas e trabalho de campo, realizado por 25
alunos do município de Rio Branco, estado do Acre. A realização
faz parte do projeto “Consumo Consciente - Cinema e Cidadania”,
aprovado no Edital Arte e Consumo do Procon do Estado do Acre, em
2008
Marcadores:
acre,
documentários,
educação ambiental,
meio ambiente,
Rio Branco
Questões sobre a multiculturalidade da arte e nos museus
O grande problema dos museus é que eles ignoram as diversas formas de expressão artística e colocam seu interesse apenas na arte realizada e, principalmente, comercializada pelas elites, como se a arte estivesse restrita apenas ao academicismo.
A arte, os artistas e, sobretudo, os museus precisam da visão antropológica, pois a antropologia funciona como uma lente de óculos, ajudando a clarear nosso olhar para as diversas formas artísticas existentes. A antropologia não apenas mostra outras culturas e seus produtos culturais, mas ajuda a compreender as diferenças e aceitar como riqueza a diversidade.
Como os museus, em sua grande maioria, ignoram a arte popular, a arte das ruas e novos artistas, deixando de criar exposições que correspondam à esta demanda e expondo apenas aquilo que é interesse das elites, oficializam a arte como o quer os poderosos, que vivem do comércio e da exploração de quadros e coleções, tornando-a moeda. O problema é que quem dita as regras do que vale ou não neste mercado de leilões e coleções milionárias não são os museus, mas os colecionadores. Portanto, ao aceitar e incentivar que a arte seja categorizada segundo os ditames desta classe os museus colaboram não para a efervescência da arte, mas para a movimentação financeira, provinda da compra e venda do que as elites consideram arte.
Quando se fala em arte genealógica estamos afirmando que há uma paternidade na obra, sendo possível estabelecer conexões da obra em questão com suas influências, mercado, etc. Já a arte etiológica não possui registros tão claros, não fazem parte de movimentos oficiais e não são parte da cultura hegemônica, sendo na maioria das vezes ignoradas e com fatias mínimas de mercado, mas ainda assim assustando as classes dominantes.
Há nos museus uma estranha política de arte, uma espécie de hierarquia oficial, estabelecendo o que é arte e o que não é, segundo o entendimento de seus dirigentes, que utilizam esta hierarquia para valorizar coleções e manter os movimentos menores nas rédeas e nos ostracismo cultural.
A arte sofre também com uma visão monocultural, como se existisse a minha arte e a arte de outro, cada uma em um determinado negando a possibilidade de coexistência pacífica e a enriquecedora troca, oriunda da diversidade.
Muitas vezes a arte que foge do padrão estabelecido é considerada menor, tanto por críticos quanto por artistas, e aquilo que é feito fora deste universo preestabelecido é visto com repúdio e desconfiança, tido como excentricidade ou loucura, mas se esquecem que muito do que hoje é aceito já teve seus dias de incompreensão. O artista mais que ninguém deve saber que a arte não deve ser limitadora, e ao mesmo tempo limitada, tem de estar sempre em evolução e isso significa aceitar ou incorporar as mudanças.
Podemos chamar de populismo responsável a atitude de manter em coexistência pacífica e culturalmente enriquecedora a arte das elites com a arte popular, sem aceitar a idéia de uma arte mais verdadeira que a outra.
Esta diversidade obtida pelo viés do pluralismo cultural deve ser inspiração para os artistas, tanto quanto obrigação dos museus, que devem cruzar os diferentes tipos de códigos, valores e artistas. Não pode expor apenas obras da Renascença por exemplo. Deve-se ter espaço para as outras manifestações artísticas com igual atenção, zelo e valorização.
Hoje o valor da arte é erroneamente definido pelo valor de mercado, da opinião dos críticos e de colecionadores, que muitas vezes não possuem motivação artística, e somente financeira, o que gera uma discrepância imensa daquilo que é daquilo que se aceita como arte.
A arte, os artistas e, sobretudo, os museus precisam da visão antropológica, pois a antropologia funciona como uma lente de óculos, ajudando a clarear nosso olhar para as diversas formas artísticas existentes. A antropologia não apenas mostra outras culturas e seus produtos culturais, mas ajuda a compreender as diferenças e aceitar como riqueza a diversidade.
Como os museus, em sua grande maioria, ignoram a arte popular, a arte das ruas e novos artistas, deixando de criar exposições que correspondam à esta demanda e expondo apenas aquilo que é interesse das elites, oficializam a arte como o quer os poderosos, que vivem do comércio e da exploração de quadros e coleções, tornando-a moeda. O problema é que quem dita as regras do que vale ou não neste mercado de leilões e coleções milionárias não são os museus, mas os colecionadores. Portanto, ao aceitar e incentivar que a arte seja categorizada segundo os ditames desta classe os museus colaboram não para a efervescência da arte, mas para a movimentação financeira, provinda da compra e venda do que as elites consideram arte.
Quando se fala em arte genealógica estamos afirmando que há uma paternidade na obra, sendo possível estabelecer conexões da obra em questão com suas influências, mercado, etc. Já a arte etiológica não possui registros tão claros, não fazem parte de movimentos oficiais e não são parte da cultura hegemônica, sendo na maioria das vezes ignoradas e com fatias mínimas de mercado, mas ainda assim assustando as classes dominantes.
Há nos museus uma estranha política de arte, uma espécie de hierarquia oficial, estabelecendo o que é arte e o que não é, segundo o entendimento de seus dirigentes, que utilizam esta hierarquia para valorizar coleções e manter os movimentos menores nas rédeas e nos ostracismo cultural.
A arte sofre também com uma visão monocultural, como se existisse a minha arte e a arte de outro, cada uma em um determinado negando a possibilidade de coexistência pacífica e a enriquecedora troca, oriunda da diversidade.
Muitas vezes a arte que foge do padrão estabelecido é considerada menor, tanto por críticos quanto por artistas, e aquilo que é feito fora deste universo preestabelecido é visto com repúdio e desconfiança, tido como excentricidade ou loucura, mas se esquecem que muito do que hoje é aceito já teve seus dias de incompreensão. O artista mais que ninguém deve saber que a arte não deve ser limitadora, e ao mesmo tempo limitada, tem de estar sempre em evolução e isso significa aceitar ou incorporar as mudanças.
Podemos chamar de populismo responsável a atitude de manter em coexistência pacífica e culturalmente enriquecedora a arte das elites com a arte popular, sem aceitar a idéia de uma arte mais verdadeira que a outra.
Esta diversidade obtida pelo viés do pluralismo cultural deve ser inspiração para os artistas, tanto quanto obrigação dos museus, que devem cruzar os diferentes tipos de códigos, valores e artistas. Não pode expor apenas obras da Renascença por exemplo. Deve-se ter espaço para as outras manifestações artísticas com igual atenção, zelo e valorização.
Hoje o valor da arte é erroneamente definido pelo valor de mercado, da opinião dos críticos e de colecionadores, que muitas vezes não possuem motivação artística, e somente financeira, o que gera uma discrepância imensa daquilo que é daquilo que se aceita como arte.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
“Abordagem Educacional”
A partir de diferentes estudos, nas áreas da arte e da educação, se verifica diferentes vertentes e tendências para o estudo e o ensino de arte nas escolas. Nas diferentes perspectivas a abordagem educacional se mostra propícia ao arte/educador pesquisador que deseja trabalhar a estruturação da arte e buscar aprofundar questões artísticas no contexto educacional, incluindo a análise do uso artístico e pedagógico das novas tecnologias presentes em sala de aula.
O aprendizado de artes é diretamente relacionado às inovações técnicas, artísticas e tecnológicas, que expandem o fazer artístico além das fronteiras delimitadoras do tradicionalismo e do medo do novo. Para Ana Mae, citada por CUNHA (Pág 17), “A arte na educação afeta a invenção, a inovação e difusão de novas idéias e tecnologia, encorajando um meio ambiente institucional inovado e inovador”.
Leituras de Ana Mae Barbosa e Jean Piaget apóiam a visão de que a Arte e as tecnologias devem conviver em harmonia e uma análise sob a perspectiva educacional se faz necessária para compreender os processos envolvidos na educação atual, bem como analisar as relações entre professores, alunos e tecnologia, encontrando resultados e comparando as diferentes reações à inserção da tecnologia em sala de aula, voltando o ensino para as necessidades do aluno, onde seu universo de interesses está totalmente inserido nas novas tecnologias.
Para que este indivíduo seja completo no seu processo de aprendizagem do mundo, que alcance realização pessoal, que vença obstáculos e que tenha seu lugar na sociedade, ele necessita ter conhecimentos que abrangem todas as áreas de sua vida cotidiana.
(CUNHA. PÁG 24)
Cabe, portanto, analisar até que ponto este processo está realmente abrangendo a todas as áreas educacionais e cotidianas da experiência escolar, levando em consideração, como afirma BARROS, se “Os aspectos das teorias de aprendizagem vem complementar a análise social, político-educacional e didático-pedagógica sobre a informática na educação, mostrando que estes recursos podem ter um uso flexível e direcionado aos objetivos da escola”, extendendo-se a noção de informática para tecnologia, indo do celular escondido sob as carteiras aos notebooks entregues por programas federais.
O aprendizado de artes é diretamente relacionado às inovações técnicas, artísticas e tecnológicas, que expandem o fazer artístico além das fronteiras delimitadoras do tradicionalismo e do medo do novo. Para Ana Mae, citada por CUNHA (Pág 17), “A arte na educação afeta a invenção, a inovação e difusão de novas idéias e tecnologia, encorajando um meio ambiente institucional inovado e inovador”.
Leituras de Ana Mae Barbosa e Jean Piaget apóiam a visão de que a Arte e as tecnologias devem conviver em harmonia e uma análise sob a perspectiva educacional se faz necessária para compreender os processos envolvidos na educação atual, bem como analisar as relações entre professores, alunos e tecnologia, encontrando resultados e comparando as diferentes reações à inserção da tecnologia em sala de aula, voltando o ensino para as necessidades do aluno, onde seu universo de interesses está totalmente inserido nas novas tecnologias.
Para que este indivíduo seja completo no seu processo de aprendizagem do mundo, que alcance realização pessoal, que vença obstáculos e que tenha seu lugar na sociedade, ele necessita ter conhecimentos que abrangem todas as áreas de sua vida cotidiana.
(CUNHA. PÁG 24)
Cabe, portanto, analisar até que ponto este processo está realmente abrangendo a todas as áreas educacionais e cotidianas da experiência escolar, levando em consideração, como afirma BARROS, se “Os aspectos das teorias de aprendizagem vem complementar a análise social, político-educacional e didático-pedagógica sobre a informática na educação, mostrando que estes recursos podem ter um uso flexível e direcionado aos objetivos da escola”, extendendo-se a noção de informática para tecnologia, indo do celular escondido sob as carteiras aos notebooks entregues por programas federais.
Referências
SANTOS, Roberto Vatan, Abordagens do Processo de Ensino Aprendizagem
< ftp://www.usjt.br/pub/revint/19_40.pdf> Acesso: 10/09/2011
CUNHA, Ana Maria de Jesus da, Arte Educação à distância: Uma análise da formação continuada on-line da Universidade de Brasília, Brasília, 2006
<http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=223>
Acesso: 10/09/2011
SILVA, Everson Melquiades Araújo – Tendências e concepções do ensino de arte na educação escolar brasileira: Um estudo a partir da trajetória histórica e sócio-epistemológica da arte/educação, UFPE
<http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=223>
Acesso: 10/09/2011
BARROS, Simone, OS RECURSOS COMPUTACIONAIS E SUAS POSSIBILIDADES DE APLICAÇÃO NO ENSINO SEGUNDO AS ABORDAGENS DE ENSINO-APRENDIZAGEM, UFPE
< http://homes.dcc.ufba.br/~frieda/mat061/as.htm> Acesso: 10/09/2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Andre Matos - A Surpreendente História de Uma Lenda
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Pastore no VIII Feliz Metal.
Agora é oficial,
Pastore é grande atração do VIII Feliz Metal. A Dream Cry Produções
entrou em contato com o músico e acertou os últimos detalhes.
Pastore
é um dos maiores vocalistas do Metal Nacional, (ex-Dealpht e Acid
Storm, entre outros), está na cena a mais de duas décadas.
“Mário
Pastore é um guerreiro do Metal. Sua persistência é extremamente
louvável e merece ao menos um pouco de atenção das pessoas que gostam do
estilo no Brasil, ainda mais numa época em que o Metal Tradicional
parece cada vez mais distante das bandas e dos músicos da nova geração”.
Destacou Thiago Rahal Mauro na Roadie Crew de N° 151 de 2011.
Quem gosta de Judas Priest, Iron Maiden e Queensrÿche deve procurar “The Price For The Human Sins”, disco de estréia da banda Pastore.
Fonte: http://metalacre.blogspot.com/
terça-feira, 20 de setembro de 2011
ENTREVISTA / PIERRE LEVY O filósofo da web
Um dos primeiros pensadores a refletir sobre a internet, Pierre Lévy, 55, estará [esteve] no Brasil no final de agosto para participar da 14ª Jornada de Literatura de Passo Fundo (RS).
Criador de termos hoje triviais, como cibercultura e ciberdemocracia, e professor na Universidade de Ottawa (Canadá), ele falou à CULT sobre interatividade e o futuro da web, temas de que já tratou em obras como Cibercultura (Editora 34) e A Inteligência Coletiva (Loyola).
Seu livro Ciberculturafoi lançado em 1999. Mais de dez anos depois, você acha que algumas das projeções que fez na obra se realizaram?
Pierre Lévy – Minha principal projeção realizada é a do crescimento das comunidades virtuais, hoje conhecidas como mídias sociais.
Outra diz respeito à transformação da mediação cultural: nós vemos atualmente que as funções dos jornalistas, publicitários, curadores, críticos, bibliotecários etc. podem ser realizadas por qualquer pessoa on-line. Além disso, podemos perceber que, por mais que as pessoas usem a internet, elas continuam se encontrando pessoalmente.
Penso também que eu estava certo ao interpretar a cibercultura não como uma cultura de gueto compartilhada apenas pelos fãs do digital, mas como a cultura compartilhada por todos na era digital.
Você consegue projetar mudanças para os próximos anos na vida das pessoas que usam a internet diariamente?
P.L. – Primeiro acredito que todos usarão a internet todos os dias, mesmo sem consciência disso. Segundo, acho que tudo e todos possuirão uma “aura semântica” aumentada ou uma realidade virtual que refletirá sua própria atividade cognitiva ou a atividade cognitiva das pessoas em relação a ela.
Para tornar possível a existência de sistemas como a “Árvore do Conhecimento”, o que precisa acontecer? Quanto tempo isso levará?
P.L. – O que está em jogo aqui é uma profunda mudança cultural em relação ao conhecimento e ao reconhecimento de competências.
Em vez de pertencer às escolas e universidades, o reconhecimento de competências passará a ser profundamente distribuído em toda a sociedade e as comunidades passarão a pensar sobre si mesmas como “inteligências coletivas”.
Isso acontecerá daqui a duas ou três gerações, no máximo.
Você afirma que, em termos técnicos, a internet possibilita a existência de uma “ciberdemocracia”, com o aumento do acesso a informações governamentais e da interação entre o governo e a sociedade civil. Isso pode funcionar na prática? Como?
P.L. – Isso já funciona. Os governos atualmente são muito mais transparentes do que eram 20 anos atrás, graças aos sites oficiais e aos dados públicos. Além disso, as discussões públicas, ou seja, a parte deliberativa da democracia, já têm sido reforçadas pelos diálogos em blogs e mídias sociais.
No futuro se verá um novo tipo de estratégia política, usando transparência, discussões públicas e inteligência coletiva como armas.
Qual a sua opinião sobre os direitos autorais e as polêmicas quanto à internet, especialmente em relação ao compartilhamento ilegal por um lado e aos sites que permitem a modificação e comercialização dos conteúdos por outro, como o creative commons?
P.L. – Acho que nós estamos lentamente caminhando para um tipo de comunismo da informação e do conhecimento.
Mas acho que deveríamos acompanhar de perto as contribuições culturais das pessoas e recompensá-las por isso, com dinheiro ou reputação.
Com as novas tecnologias, com o aumento no número de blogs e o fortalecimento das redes sociais, o que pode mudar na função dos jornalistas? Ela deixará de ter sentido com o tempo?
P.L. – Acho que a função do jornalismo será cada vez mais importante, incluindo o uso das bases de dados na profissão.
Mas saber se essas funções jornalísticas continuarão sendo cumpridas por jornalistas profissionais é ainda uma questão aberta. Nós devemos imaginar agências de notícias poderosas funcionando com base em crowdsourcing.
As pessoas podem usar a internet de diferentes maneiras, boas ou ruins. Em sua opinião, isso é apenas consequência da liberdade que provém da rede ou você acha que deveria haver monitoramento?
P.L. – Eu sou contra qualquer censura governamental na internet, especialmente quando se trata de opiniões políticas dissidentes.
Mas entendo que alguns proprietários de plataformas decidam desligar as mensagens ou as pessoas que se dedicam a atividades ilegais ou hediondas.
***
O guru atemporal
Reproduzido da site da revista Cult, 24/8/2011
Marcos Flamínio Peres
“Por favor, desliguem os flashes”, pedia pela terceira vez, impaciente, o pioneiro e entusiasta do uso da tecnologia – em particular, a web – na sociedade contemporânea. Encerrando o segundo dia da 14ª Jornada Literária de Passo Fundo, Pierre Lévy mal entrou no palco principal do evento e já era ovacionado pela plateia, feita de professores e alunos universitários e do ensino médio.
Praticamente o único engravatado da noite, o pesquisador tunisiano radicado no Canadá fez valer sua formação realizada na França. Contido, metódico, esquemático, Lévy lançava mão de vários slides para defender sua tese principal, a de que, hoje, “na era da computação, estamos explorando uma nova relação com nossa própria mente”. Épico, Lévy solta uma bela boutade: “Podemos entender a história da humanidade como a exploração de todas essas possibilidades da mente”.
A cristalização desse amplo movimento histórico se dará na web. Tão inovador é o novo meio, diz Lévy, que mesmo o idioma para abordá-lo ficou ultrapassado. Assim, usamos termos da mídia “antiga” – a impressa e mesmo os meios audiovisuais da velha guarda, como o rádio e a TV – para descrever esse fenômeno recente.
Flertando com a filosofia da mente – e com o positivismo do século 19 –, Lévy crava: “O aumento do poder da computação está aumentando nossa capacidade cognitiva”.
Aclamado também ao final da palestra, árida e repleta de conceitos, Lévy não tocou num tema alarmante e hoje já mensurável: o modo como a web, cuja definição etimológica é de “rede”, cria no seu usuário um novo tempo interno, onde a força da dispersão cognitiva é uma ameaça constante.
Mas seu status de guru permaneceu intocado.
Por Jaqueline Gutierres em 12/09/2011 na edição 659
Reproduzido da revista Cult nº 160, 5/8/2011
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