Desenho a lápis que fiz para homenagear minha filhinha...
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
Letra de música

Foi-me solicitado a criação e a postagem de uma letra de música neste blog. Então, após 90% de transpiração e ainda esperando ter certeza dos 10 % de inspiração... (Fonte de inspiração: Jogo de RPG Mago a Ascensão). Musicalmente imagino uma música tipo System of A Dawn, Rammstein, White Zombie ou Ministry para esta letra... Se fosse cantado em um idioma ríspido como o Alemão, seria perfeito.
Lá vai:
Paradoxo
Cyberpunks, adeptos da virtualidade
magos rebeldes, anarquistas, futuristas
Assim como eu,
Assim como você
deveriamos ser
Você quer a realidade?
Ou as doces mentiras impostas?
Tecnocratas
Vazios
Despertos
Vazios
Despertos
Filhos do Éter adeptos da virtualidade
Artesãos da realidade orando em sonhos
Assim como eu,
Assim como você
deveriamos ser?
Assim como você
deveriamos ser?
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Entrevista: Edgar Franco
Ele se formou em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília, é mestre em Multimeios pela Unicamp e doutor pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). À sua formação, uniu a paixão de infância pelas histórias em quadrinhos, objeto de sua pesquisa e de seu trabalho como artista. Até aí um currículo nada anormal para um professor universitário, que dá aulas nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Ciências da Computação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Entretanto, definir a pessoa e o trabalho de Edgar Franco não é tão simples como sugere sua formação acadêmica.Nascido em 1971, esse mineiro de Ituiutaba é, à primeira vista, um cara estranho, com um trabalho bem fora do convencional. Atento ao desenvolvimento tecnológico e sua influência no modo de vida atual, Franco converge o trabalho acadêmico com a produção artística multimídia: quadrinhos, música e internet. Sua arte hoje se apóia na Aurora Pós-humana, um universo de ficção criado por ele, que convida a refletir sobre uma humanidade totalmente modificada pela atuação da tecnologia nos corpos e mentes humanos. Sob esse tema, atualmente cria HQ na Internet, uma mistura de quadrinhos e hipermídia que ele próprio denominou HQtrônicas – histórias em quadrinho eletrônicas. Como músico, compõe em estilos “muito obscuros e controversos” conhecidos como dark ambient e cyber gore, influenciados pelo rock e pela música experimental.
Nessa entrevista, Edgar Franco fala do quanto é bom ser esquisito, da sua relação com seus alunos, de suas inspirações e influências, do impacto no público e do reconhecimento mundial do seu trabalho e da maravilha que é a internet. Critica o meio acadêmico, “onde reina a monarquia imperialista da ‘citação' ” e aponta a necessidade que há de ter a capacidade de se ter as próprias idéias e refletir sobre elas. Por aí o esquisito revela um ser humano inteligente, bem informado, atento e preocupado com questões do mundo ao seu redor, capaz de fazer circular sua ideologia de forma autêntica, numa arte complexa permeada de filosofia, psicologia, ficção e futurismo, fruto de um trabalho criterioso de pesquisa e observação atenta e crítica do mundo. Um cara que pensa.
Confira na íntegra esta entrevista que tem tudo relacionado à Arte e Tecnologia:
http://www.mafua.ufsc.br/numero09/mafua09.html#entrevista
http://www.mafua.ufsc.br/numero09/mafua09.html#entrevista
Trecho:
"Acredito que o álbum “BioCyberDrama” traga um pouco dessa minha controvérsia contraditória sobre os processos tecnológicos, hora vejo luz, hora trevas. Apesar do aparente niilismo, existe claramente esse fio de esperança. Acredito na real possibilidade de os tecnólogos criarem a nova espécie que irá nos substituir nesse planeta, um novo nível na escala da evolução do homo sapiens, uma categoria de criatura altamente avançada hibridizando genética humana, animal, vegetal, nanoengenharia e vida artificial emergente baseada em computação evolutiva e dinâmica de redes. Antevejo a possibilidade de essa nova espécie pós-humana estender sua longevidade a casa de centenas de anos, talvez nesse momento a tecnologia auxilie a nova espécie a promover uma verdadeira expansão e evolução da consciência, desconstruindo finalmente todo e qualquer dogma – as maiores pragas de nosso planeta – e criando um verdadeiro equilíbrio. Mas existe a outra faceta, ou seja, a tecnologia pode simplesmente continuar atendendo aos nossos desejos egóicos e individualistas de poder e prestígio e simplesmente acelerar o processo de extinção de nossa bela e controversa espécie humana. Infelizmente a ética nunca impediu que a tecnologia avançasse, se existe conhecimento tecnológico para se fazer algo, isso será feito, independente das implicações éticas de tal experimento. Até o momento nunca vi a tecnologia ser bloqueada por nada a não ser pelas próprias impossibilidades científicas. Quanto à expressão artística, acredito que a arte genuína dialoga com a tecnologia de seu tempo, e os artistas sempre estarão conectando suas poéticas aos processos tecnológicos emergentes. "Edgar Franco.
O Edgar é professor na PUC de Poços de Caldas, minha cidade natal, e o conheci através de um de seus alunos. Infelizmente nunca fui muito próximo e não pude absorver muito de sua sabedoria de uma forma mais direta, mas sempre percebi o "cara diferente" descrito nesta entrevista. Uma visão única sobre Arte, Tecnologia e Sociedade. Se alguém desejar se aprofundar em algum de seus conceitos e quiser um contato pessoal, o e-mail dele é: Links relacionados:
Site de web arte O MITO OMEGA (trabalho envolvendo vida artificial e computação evolutiva - em desenvolvimento): http://www.mitomega.com/
Site de web arte FREAKPEDIA (poética que ironiza a falsa liberdade da Wikipedia): http://www.freakpedia.org/
RITUALART - Site com trabalhos mais antigos na área de ilustração e HQ:http://www.ritualart.net/
Entrevista:"Desvendando a Esfinge Biocibernética" conduzida pelo conhecido cartunista Márcio Baraldi:http://www.bigorna.net/index.php?secao=entrevistas&id=1196395635
Myspace oficial da banda POSTHUMAN TANTRA:www.myspace.com/posthumantantras
Website oficial da banda POSTHUMAN TANTRA:www.posthumantantra.legatusrecords.net
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
XIV. ARTE, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
Para iniciar o blog TecnoarT nada mais interessante que o artigo abaixo, que envolve todas as questões relaconadas:
Uma das formas de se discutir a relação entre Tecnologia e Sociedade é através da Arte, uma vez que a Arte explora ao limite as possibilidades tecnológicas junto com questões estéticas, éticas e lógicas, construindo atitudes e pensamentos que afetam e se deixam afetar pela sociedade.Ao menos desde os anos 60 a Arte trabalha intencionalmente com a tecnologia em seu conceito amplo, denominando essa manifestação de Arte-Tecnologia. Destacar as implicações decorrentes deste binômio no contexto da Sociedade assim como ressaltar os aspectos sociais que vêm sendo discutidos pela Arte desde este período com certeza provocará resultados de grande relevância.
É notório o número cada vez maior de pesquisas no campo das relações entre a Arte e a Tecnologia. Parte destes resultados está em função da maior oferta de financiamento dos órgãos de fomento e dos resultados obtidos, se desdobrando em mais projetos e qualidade nas publicações.
Atualmente, estamos atravessando um período de grande efervescência de discursos artísticos, principalmente aqueles que têm por base o aspecto de certa subordinação do indivíduo a diretrizes técnicas, isto é, à lógica, muitas vezes em detrimento da estética e da ética. Esta subordinação limita a subjetividade e um outro modo de apreensão e expressão. Por isso a proposta deste Grupo de Trabalho é evidenciar tanto esses discursos, quanto outros, que andam na contra-mão da instrumentalização em si mesma, revelando-se fundamental em pesquisas que relacionam a Tecnologia com a Sociedade. Entendendo tanto Arte quanto Tecnologia como elementos intrínsecos e indissociáveis das sociedades, isto é, que não há Arte ou Tecnologia senão vinculadas às linguagens, aos processos, às práticas e aos resultados dos mecanismos culturais, os objetivos deste Grupo de Trabalho são explorar as interações existentes e as perspectivas de associações entre estes dois campos no interior da vida social.Nesta perspectiva, o Grupo de Trabalho se destina a abordar discussões teóricas, no entorno das linguagens artísticas, dos processos, dos discursos, das poéticas e dos mecanismos de produção artística, pensadas a partir de suas inter-relações com os aspectos conceituais e formais da Tecnologia. A delimitação temática deste Grupo de Trabalho está:
nas investigações dos fenômenos artísticos;
nos processos tecnológicos e de significação;
nas influências da percepção das diversas manifestações artísticas;
nos discursos das imagens, sejam elas artesanais ou técnicas (fotografia,
televisão, cinema e vídeo);
nas questões de recepção e interação da obra com o público;
nas questões de autoria e co-autoria;
nas questões da cultura digital;
na análise da utilização das imagens inseridas no campo social.
Sempre sob a perspectiva das interações sociais, a abordagem pretendida é
interdisciplinar, centrando seu interesse nas linguagens, nos processos e práticas sociais
que levem em conta a Arte e a Tecnologia.
Fontes:
Texto: http://www.ppgte.ct.utfpr.edu.br/tecsoc2009/pdfs/gt14.pdf
Ilustrações: http://mritt.com.br/
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Entre o real e o ilusório

O conto abaixo foi retirado de um livro independente que lancei em parceria com um amigo. Não o considero um dos melhores, mas o coloquei aqui por ter certa ligação com o tema do blog...
(obs: Esta versão está sem revisão. O livrinho saiu com duas capas diferentes, uma de cada lado. Bastava começar pelo lado da capa que desejasse.)
Meu@migo.com
Maciel era um tipo excêntrico, com roupas berrantes, falante, inteligente, extrovertido. Era também bastante inconveniente, entrão e inoportuno, chato até. Exatamente ao contrário de Fabrício, que usava roupas pretas e discretas, sempre calado, respeitoso, fechado, um sujeito comum. Chato até. Amigos há mais de uma década, estavam no quarto de Fabrício se preparando para sair e tomar umas cervejas regadas a rock n roll. A noite seria uma comemoração, afinal, havia tempos que não se viam.
-Então, o que acha.
-Legal.
-Não acha que é muito chamativa?
-Anhan.
-É?
-Não.
-É ou não?
-Anhan.
-O quê?
-Ah?
-A calça!
-Anhan.
-Anhan o quê?
-Como assim?
-Deixa pra lá.
-Anhan.
-Você ta me ouvindo?
-Anhan.
-Você não vai se trocar pra gente sair?
-Anhan.
-Então vai!
-Anhan.
-Poxa Fabrício, a gente não se vê faz quase um ano cara! Venho te visitar, contar as novidades, trocar umas idéias, aprendi tanta coisa legal na faculdade que queria te mostrar e você mal fala comigo!
-Anhan.
-Caralho, nem tá ouvindo.
-Anhan.
-Vou sair fora.
-Anhan.
-Posso levar esta camisinha pra comer a sua namorada que está lá embaixo esperando pra me dar?
-Anhan.
Meia hora depois, Fabrício olha para o lado, abaixa o volume do rádio, procura Maciel pelo canto do olho e volta para a tela do computador. Aumenta o volume novamente e começa a digitar algo. Na sala de bate papo surge uma mensagem:
“Acredita q faz trocentos anos q naum vj o Maciel e ele foi embora sem falar comigo? Ainda bem que vc estava aqui. Aliás, qual seu nome mesmo? ;-)”
(obs: Esta versão está sem revisão. O livrinho saiu com duas capas diferentes, uma de cada lado. Bastava começar pelo lado da capa que desejasse.)
Meu@migo.com
Maciel era um tipo excêntrico, com roupas berrantes, falante, inteligente, extrovertido. Era também bastante inconveniente, entrão e inoportuno, chato até. Exatamente ao contrário de Fabrício, que usava roupas pretas e discretas, sempre calado, respeitoso, fechado, um sujeito comum. Chato até. Amigos há mais de uma década, estavam no quarto de Fabrício se preparando para sair e tomar umas cervejas regadas a rock n roll. A noite seria uma comemoração, afinal, havia tempos que não se viam.-Então, o que acha.
-Legal.
-Não acha que é muito chamativa?
-Anhan.
-É?
-Não.
-É ou não?
-Anhan.
-O quê?
-Ah?
-A calça!
-Anhan.
-Anhan o quê?
-Como assim?
-Deixa pra lá.
-Anhan.
-Você ta me ouvindo?
-Anhan.
-Você não vai se trocar pra gente sair?
-Anhan.
-Então vai!
-Anhan.
-Poxa Fabrício, a gente não se vê faz quase um ano cara! Venho te visitar, contar as novidades, trocar umas idéias, aprendi tanta coisa legal na faculdade que queria te mostrar e você mal fala comigo!
-Anhan.
-Caralho, nem tá ouvindo.
-Anhan.
-Vou sair fora.
-Anhan.
-Posso levar esta camisinha pra comer a sua namorada que está lá embaixo esperando pra me dar?
-Anhan.
Meia hora depois, Fabrício olha para o lado, abaixa o volume do rádio, procura Maciel pelo canto do olho e volta para a tela do computador. Aumenta o volume novamente e começa a digitar algo. Na sala de bate papo surge uma mensagem:
“Acredita q faz trocentos anos q naum vj o Maciel e ele foi embora sem falar comigo? Ainda bem que vc estava aqui. Aliás, qual seu nome mesmo? ;-)”
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terça-feira, 11 de agosto de 2009
Historinha de Márcio Baraldi

Esta pequena historinha do Márcio Baraldi retrata minha chegada ao Acre... Márcio é um cara fenomenal...
Acesse:
Site: http://www.marciobaraldi.com.br/
Site: http://www.marciobaraldi.com.br/
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quadrinhos,
rock
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
A queda de Lex
Sempre fui um severo crítico do Superman e todas as suas aventuras fantásticas em um mundo perfeito, onde o bem sempre vence e o mal e é facilmente identificável por uma visão maniqueísta do preto e branco. Mas a vida é diferente, o bem e o mal são apenas conceitos, e o mundo é repleto de tantos tons de cinza que nunca se pode ter absoluta certeza sobre o que é certo e o que é errado. Por isso, sempre detestei o Superman das histórias em quadrinho da DC e dos desenhos animados, onde mais irreal que seus fantásticos poderes é sua perfeição.
Pelo mesmo motivo, tornei-me também fã incondicional de Smallville, onde a visão de certo ou errado é bem mais real, bem mais maleável e difícil de se identificar. Em Smallville, todos possuem suas razões, seus medos, seus demônios e imperfeições; inclusive o Superman; que na série é tão humano quanto eu, capaz de errar e incapaz de fazer muitas coisas, a despeito de seus fantásticos poderes, que aliás, em muitas situações se mostram mais um fardo que uma dádiva, como seria no mundo real. E é por esta razão que Smallville nos cativa, ela apresenta um herói de carne e osso, um arquétipo de nossa psiquê com a qual nos identificamos e sua jornada mitológica está arraigada em nosso inconsciente coletivo.
Sinceramente, não estava muito contente com os rumos que a terceira temporada estava tomando. Nas duas primeiras temporadas, a relação de Clark com Lana era o epicentro da série, o pano de fundo para todas os outros conflitos. Entretanto, a relação vai-não-vai acabou cansando, principalmente depois que ficou claro que não se tratava mais de um amor platônico de Clark, mas sim de um amor recíproco que apenas não acontecia. Mas, analisando a fase de mudanças em que a série se encontra agora (falo da ordem apresentada pelo SBT, que é a que tenho acesso), duas coisas ficam claras:
Primeiro; os roteiristas perceberam que a coisa estava esfriando e que estavam perdendo audiência, e, segundo; que estes mesmos roteiristas são brilhantes, pois estão conseguindo se reinventar e reinventar toda a série, mesmo sem se apoiar na relação desgastada de Clark e Lana. Estão desenvolvendo novas idéias, trazendo novos personagens e explorando mais fundo a personalidade e a vida de um personagem essencial na vida de Clark, Lex Luthor. É claro que alguns estão ficando apagados, como é o caso de Pete. Cloe, é outra que merecia um maior destaque , mas segundo soube, terá sua importância melhor trabalhada em breve... Mas é Lex quem me interessa neste momento.
Todos sabemos quem ele é no universo DC, o maior inimigo do superman, "o cara do mal". Mas a pergunta que todos fazem desde o início da série é, como estes dois grandes amigos puderam se tornar arqui-rivais? Claro que se apoiássemos a visão simplista da vida poderíamos apenas dizer: "Ele é mal, nasceu assim e pronto", mas como eu disse no início desta coluna, Smallville é cheia de tons acinzentados, e ninguém caminha com tanta desenvoltura entre um extremo e outro quanto Lex. Ele representa não só o oposto do Superman, mas acima de tudo, ele é ao mesmo tempo herói e bandido, é o anti-herói, e não o vilão. Lex é o personagem mais humano em Smallville, e ele -assim como todos nós-, possui seu lado obscuro. E como é latente desde o início da série, Lex luta com seus demônios todos os dias, Lex viu seu futuro, ele sente o que vai ocorrer e luta para mudar seu destino. Ele não deseja ser “mal”.
No final, nós sabemos, o lado negro de Lex virá à tona, mas o que causará a derrocada de suas esperanças? Ninguém pode afirmar com certeza -ainda não-. Mas, assistindo ao episódio de hoje, vendo Lex internado em um hospício, sendo drogado e eletrocutado em uma espécie de lobotomia seria fácil dizer que foi aí que Lex se rendeu. Talvez seja -eu acredito que seja-, mas minha visão não é tão simplista. Lex diz ter perdido a memória, a maioria de nós vai duvidar disto, Lex é inteligente o suficiente para não revelar que se lembra dos acontecimentos recentes, caso contrário, estaria pedindo para que tudo se repetisse. No entanto, eu acredito que ele realmente se esqueceu. O problema é que o sofrimento de Lex não se apagou com o esquecimento, acredito que os fatos marcantes de nossas vidas passam a fazer parte de nós, como simbiontes, amalgamados em nossa alma. E assim, mesmo que Lex tenha se esquecido dos fatos, a dor ainda o persegue. E pior, agora ele não vai saber porquê há tanta dor dentro de si, o que a fará crescer até se tornar insuportável pela falta de respostas.
Além disso, o episódio -que foi sensacional- teve uma grave falha. Os roteiristas perderam a oportunidade única de apontar o exato momento em que Lex perdeu a batalha. Este momento ocorreu hoje e ninguém parece ter percebido. Quando ele foi eletrocutado? Não, mais uma vez, simplista, óbvio demais. O momento da sua queda foi quando ele pediu ajuda à Clark. Ele sabia que Clark podia ajuda-lo, ele acreditou que a amizade deles seria mais forte que as dúvidas que pairavam no ar e as “provas” que depunham contra si. Lex teve fé que seu melhor amigo acreditaria nele quando todo o mundo o condenava. E o que Clark fez? Ele o abandonou. Simples assim.
Já vimos Clark invadir prédios mais seguros que um sanatório várias vezes por motivos menos importantes, ele já foi contra todos por acreditar na inocência de várias pessoas apenas pelo benefício da dúvida. E desta vez, o que ele fez? Permitiu que seu melhor amigo fosse internado por alguém que ele sabia ser capaz de qualquer coisa para controlar o filho. Ele sabia que Lex havia sido drogado e que tudo estava sendo manipulado, e mais importante, ele sabia que Lex não conseguiria sair desta sozinho como estava. E o que ele fez? Fraquejou. Abandonou o amigo quando podia não só tê-lo tirado de lá, como poderia ter lhe dado apoio enfrentando quem quer que fosse por acreditar em um amigo. Clark selou seu destino e o de Lex neste momento, pois foi quando Lex percebeu que estava sozinho no mundo e que a amizade de Clark não era tão forte quanto ele supunha. Não importa se depois Clark tentou tira-lo de lá. Ele devia ter feito isso antes, quando seu amigo olhou em seus olhos e pediu por ajuda. E a grande questão é esta, mesmo se Lex se esquecer de tudo como o episódio sugere, sua alma está marcada por uma traição que ele não conseguirá esquecer.
Tudo isso me fez lembrar que passei pela mesma situação uma vez... Tudo depunha contra mim, os fatos eram óbvios. Eu era visto como um perigo em potencial, estava trancado em um lugar frio, escuro, uma prisão chamada ostracismo. Um lugar muito pior que um sanatório, pois não há nem mesmo alguém que lhe visite. E fui parar ali pela mesma razão que Lex se tornou finalmente um Luthor. Por ser acusado, julgado e condenado sem o benefício da dúvida. Mas principalmente, por pedir ajuda a um amigo em quem confiaria minha alma e ser abandonado.
No meu caso, eu superei, e embora ainda hoje existam feridas não cicatrizadas, também aprendi a perdoar, e principalmente a reconhecer que também cometi meus erros e a não guardar mágoas de quem acreditava ter me machucado tanto ao me abandonar quando mais precisava, pois na verdade a coisa não era bem assim (nunca é) e eu era o único culpado por tudo... Aprendi a olhar para o futuro deixando o passado para trás e ver estas mesmas pessoas ao meu lado novamente, confiando mais uma vez, que serão capazes de estar a meu lado quando todos os outros me abandonarem. Mas Lex não vai conseguir, ele vai se sentir durante a vida toda como eu me senti por alguns meses; sozinho no mundo, abandonado, odiado, ignorado e desacreditado. Alguém que não tem mais nada a perder no mundo porquê já perdeu o que lhe é mais importante, e por isso, se tornar finalmente, aquilo que não gostaria de ser, e o que é pior, é provável que Clark nunca saiba o quão responsável será por esta mudança.
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